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O Cristão e as Finanças

Infelizmente, é muito comum vermos cristãos com uma vida financeira
frustrada e, muitas vezes, atolados em dívidas. Nesse momento, surgem as
indagações: Porque vivo no deserto se sou filho de Deus? Porque tanta
provação? Como pode o ímpio ser próspero e o crente só viver escassez
financeira?
Se você já fez ou ainda faz esse tipo de pergunta, convido-o a observar, à luz da
Palavra de Deus, as respostas para esses questionamentos.
Posso ser rico mesmo sendo cristão?
Provérbios 16:15 afirma: “É melhor ter pouco com o temor do SENHOR do
que grande riqueza com inquietação”. É um fato que há pessoas abastadas que
são infelizes, solitárias, desconhecem o amor e não têm paz. Por outro lado,
existem pessoas sem dinheiro que são muito felizes. A grande questão é que
isso não é uma regra e, mesmo que fosse, toda regra tem sua exceção. Não
podemos generalizar.
A ideia central desse texto não é que devemos ser pobres para ter Deus ou que
ser rico seja sinônimo de ausência d’Ele. Pelo contexto, observamos que o texto
ensina que devemos ter uma vida voltada para Deus, independente da classe
social e status financeiro que possamos ocupar.
Outro fato é que o autor deste livro era o homem mais rico de sua época, o rei
Salomão. A Bíblia diz que em seu reinado havia tanta prosperidade que, em
Jerusalém, a prata se tornou comum como as pedras (2 Crônicas 1:15).
A Bíblia está repleta de homens íntimos de Deus que tiveram sucesso em sua
vida financeira, como Abraão, Isaque, Jacó, José, Davi, Daniel e tantos outros.

É possível um rico entrar no céu?
Certo dia, um jovem muito rico chegou até Jesus e lhe perguntou o que deveria
fazer para ter a vida eterna. Ao decorrer de todo o diálogo, Jesus disse que lhe
faltava apenas uma coisa: vender todos os seus bens e dar o dinheiro aos pobres.
Por possuir muitas riquezas, ele partiu. Então Jesus disse aos seus discípulos
que dificilmente um rico entrará no Reino dos céus (Mateus 19:16-30).
Jesus não disse que era impossível ou improvável; o fato é que o coração
daquele jovem estava totalmente atrelado aos bens que possuía. Cria-se uma
crença limitante e uma doutrina errada de que o dinheiro é ruim, sujo e não traz

felicidade, quando o problema real está no coração perverso de quem faz mau
uso dele. A Bíblia diz: “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e
nessa cobiça alguns se desviaram da fé.” (1 Timóteo 6:10).
Não há problema em aspirar a uma posição financeira sólida, contudo, evite
tornar o dinheiro seu senhor e não se submeta a ser seu escravo. Dê prioridade
ao Reino de Deus.
O Reino dos céus é tomado por esforço. É uma questão de escolhas e renúncias.
Jesus se entregou para salvar toda humanidade, mas nem todos estão dispostos a
seguir a Deus e à Sua vontade.
Pobreza é um sinal de pecado?
Obviamente, não. Basta olharmos para Jó, o homem mais rico do Oriente. E o
próprio Deus testifica, dizendo que não havia homem como ele, que andava em
retidão, era íntegro e se desviava do mal. Todavia, o SENHOR, conhecendo o
coração de Seu servo, permitiu que ele perdesse tudo quanto possuía, mas o seu
coração permaneceu íntegro. Diferente do jovem rico, Jó não estava preso aos
seus bens e riquezas, pois sabia que tudo era razão da bondade e benevolência
divina. Ele declarou: “Deus me deu, Deus me tirou. Louvado seja o nome do
SENHOR!” (Jó 1:21,22).
Os amigos dele achavam que ele estava em pecado, pois não encontravam outra
razão que justificasse o fato do ocorrido em sua vida, a não ser que o mesmo
tivesse desagradado tanto ao SENHOR e estivesse sofrendo alguma penalidade.
Vale lembrar que no final da história, o SENHOR restituiu em dobro tudo
quanto ele possuía. Se ele já era o mais rico, imagina duplamente.
Então, porque parece que só os ímpios prosperam?
Deus deseja abençoar Seu povo. Jesus disse que o sol nasce para todos, tanto
maus como bons (Mateus 5:45). Poderia aqui citar muitos textos bíblicos onde
Deus abençoa, mas vou te convidar a meditar em Salmos 81, onde o SENHOR
declara que se Seu povo O escutar e andar em Seus caminhos, Ele o sustentará
com o trigo mais fino e o mel puro extraído da rocha; em outras palavras, com o
melhor desta terra.
Reverenciar e obedecer a Deus são primordiais. Além disso, a má
administração e a falta de educação financeira podem impedir qualquer pessoa
de ter uma vida próspera.

Sabe a diferença entre gastos e investimentos?
O gasto ocorre quando não há expectativa de retorno, enquanto o investimento
representa a certeza de semear para colher no futuro. O maior equívoco é gastar
tudo que ganhamos, ou pior, viver ultrapassando nossos limites financeiros.
Invista em seus conhecimentos, sem limitar o valor daquilo que é
verdadeiramente valioso. Explore livros sobre finanças, faça cursos e aprenda a
investir. Cultive o hábito de poupar desde já, e inicie seus investimentos o
quanto antes para começar a colher rendimentos que auxiliarão na multiplicação
do seu capital.
José, ao tornar-se Governador do Egito, economizou vinte por cento de toda a
colheita, possibilitando alimentar o povo nos sete anos subsequentes de
escassez. Jesus, por meio da parábola dos talentos, ensinou que é possível
multiplicar investindo no lugar certo.
Para finalizar, quero te falar de duas coisas valiosas que você deve priorizar: o
tempo, que não volta, e o conhecimento, que ninguém pode roubar de você.
Ambos são ativos valiosos que moldam seu futuro.